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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

JUDAS, O DISCÍPULO FRIO







“Ora, o traidor tinha-lhes dado esta senha:
“Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o e levai-o com segurança” (Ev. Marcos14:44)



Provavelmente Judas nunca derramou lágrimas. As poucas vezes que falou nos dá a certeza de que era uma pessoa totalmente insensível. Nem as cenas mais comoventes vividas pelos personagens bíblicos e assistidas por ele, tocaram seu coração que pulsava mais frio que uma pedra de mármore.
Um coração como o de Judas é qual deserto ressequido de cujos olhos jamais  brotarão lágrimas.

Quando em Betânia, Maria, exultante e agradecida pela ressurreição do seu irmão Lázaro ungiu os pés de Jesus, enxugando-os com seus cabelos, foi por Judas duramente censurada: “Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres?”. (Ev. João 12:4) A cena tocou profundamente o coração de Jesus, pois fazia referência à sua morte. “Respondeu Jesus: “Deixe-a em paz; que o guarde para o dia do meu sepultamento.”

O lauto jantar com a presença majestosa de Jesus nada significou para Judas, ao contrário, mais uma vez revelou a escuridão do seu coração, pois foi ter com os principais dos sacerdotes e lhes propôs um grande negócio: um plano para entregar seu Mestre pela soma de trinta moedas de prata – dez por cento do valor atribuído ao perfume de Maria.

Na escura noite da traição, frente a frente com Jesus, aproxima-se do seu rosto para beijá-lo. Provavelmente a única vez que o beijou. E mesmo assim, para dar um sinal aos soldados. Aquele era um beijo enganoso: “...porém, os beijos de quem odeia são enganosos” (Prov.27:6).  O olhar de Jesus jamais lhe comoveu: “com um beijo traís o Filho do Homem?”.  
Quanta diferença de Pedro, seu colega de apostolado. Logo após a prisão de Jesus, passou a segui-lo de longe. O amor fez com que Pedro tivesse vergonha de fugir; o medo fez com que ele tivesse vergonha de se aproximar. Mas, ao presenciar a cena do julgamento de Jesus, foi profundamente tocado pelo seu olhar e chorou amargamente. Se Pedro tivesse derramado as lágrimas sem contemplar a cruz poderia ficar desesperado; e  se tivesse visto a cruz, mas não derramado lágrimas, ficaria apenas arrogante.

Judas, entretanto, quando soube que Jesus fora condenado à morte desejou devolver as trinta moedas de prata, recusadas pelos sacerdotes e lideres religiosos. E talvez, pronunciando palavras entrecortadas, disse-lhes “Pequei, pois traí sangue inocente”. E tocado pelo remorso, foi enforcar-se.

Alguns homens como Davi e o filho pródigo disseram a mesma  palavra  “Pequei” e buscaram socorro e foram atendidos. Davi encontrou o perdão de Deus e o filho pródigo os braços amorosos do pai.

Judas, porém, seguiu o mesmo caminho de outros homens que afirmaram “Pequei”, como Saul ou Balaão, mas prosseguiram sem qualquer arrependimento.

Nada mudou seu coração desde o primeiro contato com Jesus até aquela última noite. Uma vida cheia de paradoxos: viveu e caminhou ao lado da luz, mas nunca abandonou as trevas. Depois da ceia memorável  saiu na escuridão. O evangelista João destaca: “Ele, tendo recebido o bocado, saiu logo. E era noite”. Como viveu, morreu na escuridão do pecado e sem derramar lágrimas.

Pedro, tocado pelo arrependimento foi restaurado por Jesus. Judas, tocado pelo remorso seguiu seu próprio caminho para longe de Jesus. Que tiremos lições destas duas vidas: sigamos o caminho de Pedro levando sempre no coração o olhar de Jesus, sendo transformados por Ele, e que jamais tenhamos um coração de sombras como o de Judas.

Que assim seja.


Orlando Arraz Maz 

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